terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Puxa a cadeira…

E vamos conversar? Assim, de mulher pra mulher, mãe pra mãe?

É..., já sentiu pra onde a conversa vai, né?!

Vamos agora tentar ser objetivas? Colocar os sentimentos de lado, as emoções e os hormônios e a bagagem que carregamos no armário?

Ah! E antes que eu me esqueça. Em sendo objetivas, olhando as coisas como um fato, vamos levar uma opinião (diferente) sem pensar que é um ataque pessoal? Isso ajudaria muito! Por que, vejam bem, em 70% das leitores que passam por aqui, nem o (verdadeiro) nome eu sei. Portanto, como eu posso estar atacando você, não é?

Então, vamos baixar a defesa e o ataque e vamos relativizar!...

Hoje eu recebí uma mensagem de uma colega de trabalho que ficou sabendo que estou viajando de novo. Ela ficou abismada como eu consigo me afastar de filhote para essas viagens e que aparentemente eu não mostro nenhum problema ou dificuldades (emocionais) com isso.

Muita coisa me passou pela cabeça no que responder a essa colega, mas a minha primeira resposta foi uma pergunta ‘objetiva’. “Eu estou aqui com 6 outros colegas homens, desses , 4 são pais. Você fez essa mesma pergunta pra eles?”

O negócio é que quando se trata da mãe, da mulher, as expectativas são diferentes. Na verdade, eu acredito que boa parte desse julgamento é proveniente do fato de que em 80% ou até mesmo 90% dos casos, a mulher é o seio da família. É ela que organiza tudo em casa. De comida à limpeza, e principalmente dos cuidados dos filhos.

Isso, no entanto, não é o ‘meu’ caso. Não é como as coisas acontecem lá em casa. Acima de um marido, eu tenho um ótimo parceiro nos afazeres. Além disso, ele é caseiro, sem ambições profissionais e um pai realizado com o nosso lindo e querido filho. ( Eu sou uma mãe multi-tasking realizada!)

Fazer o que eu faço só é possível por causa da nossa infrastrutura familiar. Por que tudo é dividido por dois e não fica tudo nas costas da mãe/mulher.

Isso, por outro lado, não responde a pergunta como eu ‘aguento’. Outra dia, uma cumadre perguntou, na brincadeira, se o meu coração era de pedra. De estar longe e ficar olhando e postando fotos do meu filhote lindo.

Vamos deixar uma coisa bem clara. Quando eu anunciei a minha gravidez eu comentei de um ditado que lí uma vez em que dizia: Numa vida inteira você provavelmente só vai encontrar 2 pessoas por quem você daria a vida. Não há dúvidas nenhuma da minha parte que o meu filho é uma delas! Até mesmo pelo instinto materno de proteger o filho na hora de um desastre, esse é o único objetivo que um mãe tem. E ponto.

O fato de eu não demonstrar ou ficar choramingando as minhas dores para os meus colegas, chefes ou até mesmo aqui, vem da plena consciência que se eu estou sofrendo foi por uma escolha/decisão minha. Somente minha e de ninguém mais. E sou eu que tenho que carregar e aguentar o fardo até a dor passar. Isso por sinal, é uma das lições espiritismo.

Eu já falei do meu dilema aqui antes. De como eu gostaria de ter filho e estar aqui ao mesmo tempo, fazendo um bom trabalho. Eu estou amando ser mãe. Já me perguntaram se quero ter mais filhos, a resposta está no ar antes mesmo dos neurônios funcionarem. E paralelo a isso, eu também amo o meu trabalho. Amo tentar ser tudo ao mesmo tempo com todas as mazelas de tempo e estresse. Não há um fio de cabelo do meu corpo que não ame a (minha própria) vida.

Eu sofro, mas sou feliz, entendem?

E sim, mulheres são mais sentimentais que os homens. São mais emocionais. Mas, eu tô vendo alguns dos meus colegas sofrerem com a saudade dos filhos também. E eu acho que muito das suas mulheres nem se realizam do quanto. E no final das contas, olhando objetivamente, quando se ama e se está distante, todo mundo sofre. Sem exceções.

10 comentários:

Eliana disse...

Sabe que me passou estes mesmos questionamentos que te foram perguntados.Pensei em como vc dá conta desta vida louca! E a sua resposta foi completa..."sofro mas sou feliz"...a vida é assim mesmo...a gente chora e a gente ri! É como ter feito a escolha de ter deixado tudo no Brasil, coisas e pessoas importantes para viver uma felicidade conjugal. A verdade é que vc não se acomodou, não se aquietou e está vivendo a sua vida com o apoio das pessoas mais importantes pra vc, sua família! É isso que conta.

Paula disse...

Oi
infelizmente sempre será assim. Homens nao tem que ter uma ligacao forte com o ninho enquanto a mulher só pode trabalhar antes dos filhos nascerem ou depois que sairem de casa. Principalmente na nossa área IT isso é bem comum de ouvir... e se vc ganha mais que seu marido? afe... Como o povo se encomoda com a vida dos outros né?

Ana disse...

Cá pra nós Holandesa, manda essa gente ir cuidar dos proprios pacovas. Sabe como se chama isso ? Inveja e da braba, porque é mais do que justo que você viaje e que seu marido fique com o S., estamos em tempos de internet, email, skype, sao alguns dias longe, nao se trata de ir fazer pesquisa de campo na Africa e passar 3 meses longe. E que vida louca você tem ? Você mora numa casa, tem familia perto, se você fosse atriz de teatro, cantora de jazz, eu até entenderia o espanto. Credo esse mundinho tah cada vez mais ridiculo. E aproveita bastante a sua viagem e manda as invejosas irem arrumar um marido que preste. Beijos.

Holandesa disse...

Ana,
Não é nem uma questão de 'marido que preste', mas uma mudança de pensamento. Também ainda tem muito a ver com uma mentalidade machista e que muita gente não se dá conta.

Jaboticaba Preta disse...

O brilho sempre traz à tona aquilo que está encoberto. Você ainda vai encontrar muita gente infeliz que gostaria de estar no teu lugar.

Não deixe que isso a perturbe. Lembre-se que é também o teu brilho que traz esperança a outras mulheres como tu que querem ser felizes com a casa, trabalho e vida pessoal.

Marcia disse...

Pois é, a Ana disse o que penso sobre isso, e também já twittei. Não acho que você precisa ficar dando satisfações por povo, como você disse, o esquema funciona na sua situação e pronto, tá todo mundo feliz, você tem uma carreira, um filhote bem criado. Pena que você precisa ficar desenhando para as pessoas que carreira e maternidade juntos pode dar certo sim! Hello, estamos no século 21...

Anônimo disse...

Sinceramente, acho que pessoas que fazem comentários desse tipo, são pessoas invejosas, frustradas e porque não dizer, até certo ponto, bem maldosas.
Acho que você está corretíssima. Primeiro porque a vida continua... e são oportunidades (as vezes) únicas. De que adiantaria você largar tudo isso e ficar em casa frustrada??? Ao que tudo indica, não é a quantidade, mas sim a qualidade do envolvimento com seu filho que conta. Tenho certeza que nos momentos em que vc está com ele, deve ser uma mãe muito legal. Parabéns e nem dê ouvidos para esse tipo de comentários. Siga em frente e muito sucesso na sua carreira e na família também!!!

Juliette disse...

Isso mesmo Holandesa manda essa mulherada bundar com o Frederico...gente mais sem nocao.

bj

Maria Cláudia disse...

Holandesa, comungo da sua ideologia e a aplico desde que meus filhos nasceram. E tem mais, às vezes viajo por lazer mesmo, porque nós também precisamos disso.

Eles estão crescendo (3 e 4 anos) e se tornando crianças independentes e saudáveis. Neste ano eles viajaram sozinhos com a babá para a cada da vovó, porque "a mamãe não estava de férias". Foram numa boa e me deram um orgulho danado!

Amor e dedicação não pressupõe proximidade absoluta. E, claro... quem disse que é indolor? A gente só não tem que fazer propaganda da dor da gente, né?

Beijinho,

Maria Cláudia

Monica Peres disse...

Eu bem que falei aqui no blog, faz tempo, que o importante era vocês "3" estarem felizes, o resto é papo para boi dormir!
Porque se trabalha é exagero, se fica em casa é vagabunda, se faz meio período não tem ambição, se viaja para o exterior é coração de pedra, se estuda é intelectualóide, se não cuida do filho é desnaturada, e por ai vai ...
Cansa mais viver a vida que "os outros querem que vivamos" do que àquela que temos para viver por nós mesmos.
Força Holandesa!
bj