quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Elaborando mais a questão…

Sei que tem muitas pessoas que acham ser inveja a razão que leva algumas mulheres a fazerem tais comentários/perguntas como falei no post abaixo. Mas, querem saber? Eu não acho que seja realmente o caso. Acho que muito dessas mulheres que são felizes sim.

Vejam bem, a colega que me fez a pergunta é mãe e também trabalha part-time. Ela, no entanto, se recusa a fazer viagens à trabalho e pegou outro cargo mais leve (deu um passo pra trás na carreira) para combinar a maternidade e o trabalho de forma menos estressiva. Ela diz que foi a melhor coisa que ela fez. E realmente, ela parece ser uma pessoa feliz. Há outras mães que preferem largar carreira e trabalho e ficar em casa com os filhos. Para algumas dessas mulheres, isso é a realização de um sonho e são, por isso, também felizes.

Acho que a questão está mais no fato de ‘eu’ não pertencer a nenhum desses dois grupos e elas não (me) entenderem. E já notaram como sempre são as mulheres a criticarem umas as outras? Eu ainda não ví nenhum homem vir me perguntar se o meu lugar não é em casa do lado do meu filho. Nenhum. Nem de brincadeira.

Com isso, eu estou achando que a continuaçao da existência do machismo é em boa parte culpa das próprias mulheres por alimentarem essa mentalidade. Foi por isso que eu perguntei se ela fez a mesma pergunta para os nossos colegas homens e que são pais e estão também aqui comigo na conferência. Ninguém faz essa pergunta pra homens, né?! E dizem que isso é por que homens são mais ‘afastados’ dos filhos.

Olha, eu até que tinha esse receio/ preconceito antes de ter filho, mas vou dizer que eu mudei de conceito. Quem já viu Amore com o nosso filhote vai confirmar que meu marido é um pai super-dedicado. Além disso, como eu já disse, 4 dos outros colegas aqui presentes são pais.

Ontem teve um deles que estava quase aos prantos pensando nos filhos na hora de comprar presentes e quando ele viu um outro pai brincando com o filho numa fonte de água na Downtown disney. Nunca tinha visto isso antes e eu acho que a própria mulher dele não sabe de como ele sofre quando ele está distante. E olha que tem gente que diz que na Disney, com ou sem filho, é impossível você ficar down (depressivo)!

Todos os colegas me pediram ontem pra dar dicas onde comprar presentes e até mesmo opinião nos presentes. Eu achei aquilo tudo lindo! Até mesmo quem não é pai foi comprar presente para as sobrinhas. Por aí você tiram.

Além disso, tem um outro colega que eu admiro muito nesse quesito e também está aqui. Ele e a mulher dele tinham problemas para terem filhos. Fizeram tratamentos durante 8 longos anos. 8 anos, gente! E os médicos disseram que eles nunca teriam filhos. Depois de 8 anos de muita luta e sofrimento, um milagre aconteceu e a mulher dele engravidou de uma menina. A menina tem agora 9 anos e é uma criança super-feliz. Ela é a razão de viver dele. E por isso, ele trabalha part-time (36hrs como eu). Assim como a minha outra colega, ele não faz questão de viajar (além de uma semana aqui ou acolá) e também não ambiciona grandes funções.

Por sinal, ele está uma função acima de mim e com toda essa reorganização da empresa, o gerente deu uma avaliação negativa pra ele, por que o gerente espera que, na função dele, além do trabalho normal do dia-à-dia, ele tome outras iniciativas dentro da empresa. O que obviamente acaba gerando mais trabalho e mais horas. Coisa que esse meu colega não está disposto a fazer, por que como ele mesmo diz, ‘o que eu tenho em casa tem muito mais valor pra mim’. Ele ama o trabalho, mas não está disposto a ir mais além se for nos custos da família e vida privada dele. E ele realmente é feliz com a escolha dele.

Não sei se os casos que eu vejo ao meu redor são exceções. Acho que são mais a regra na mentalidade Holandesa. E o que eu noto é que, nesse ponto vista, os homens e as mulheres não diferenciam muito como dizem por aí. Acho que esse papo que o ‘pai sofre menos’ por que está menos ligado aos filhos é conversa pra boi dormir. Na Holanda as pessoas só costumam terem filhos quando elas realmente querem e isso inclue bem claro os homens. É uma escolha consciente.

É por isso que eu não entendo por que as cobranças feitas pelas mulheres também não são feitas para os homens? Me entendem?

É isso...

3 comentários:

Monica Peres disse...

O segundo parágrafo deste post resume toda a questão, particularmente falando desta sua colega: está claro que ela não está 100% bem resolvida com a
escolha de vida que fez
e acaba usando a "maternidade" para encobrir a infelicidade, pois pior seria confessar que está triste em só ficar com os filhos e que gostaria de ter investido mais na carreira!
Este tema é tabu, é muito difícil distinguir "ser mãe" (que é um traballho 24x7, perto ou longe da cria) e "amar os filhos", conheço mulheres que AMAM os filhos loucamente e não são muito boas mães, e outras que são "mães modelo" mas parecem ter dificuldades emocionais com os filhos.
É a velha estória de ser "otima dona de casa" para ser uma boa esposa, acho que este tabu já superamos, não é não?
Será que ainda hoje para ser boa esposa tem que saber cozinhar gourmet e passar algodão 2000 fios com perfeição? Será que isto já não ficou para tras?
Quando será que vamos deixar este tabu de que, só amamos nossos filhos quando anulamos toda a nossa personalidade em favor deles?
Algo para se pensar, né?
bj

Marcia disse...

Acho que o que mata mesmo a questão é o terceiro parágrafo. Holandeses têm uma imensa dificuldade em entender pessoas que pensam diferente deles. Se você não se enquadra num grupo, pronto, vai ter sempre que se justificar. É por essas e outras que há tão poucas mulheres em cargos de chefia na Holanda. Eu hein, essas mulheres holandesas vivem num planeta totalmente diferente do meu. Não foi isso que me fez sair daí, mas engolir essas criaturas estava ficando cada vez mais difícil. Mande-as catar coquinho e continue o que você sempre fez, já que o importante é você, maridón e filhote serem felizes.

leticia disse...

Holandesa.

Frequento o seu blog já faz um tempo, e o que eu admiro muuuuuito é essse seu jeito multidisciplinar, parece que para você não existe tempo ruim, consegue conciliar varios afazeres e ainda faz curso de decoração de bolo, afff. dá canceira só de pensar.
As vezez quando estou desanimada procuro lembrar de você e quando tenho oportunidade entro em seu blog para dar uma olhadinha em seus post e criar "vergonha" de ser mole.
Já li seus primeiros posts e ví como voce foi dedicada para chegar ond está e como vc é feliz por isso.
Então com certeza pessoas que fazem esse tipo de comentarios, ou não te conhecem mesmo, ou se conhecem tem inveja do seu sucesso e de sua capacidade. Com certaza não é só eu que te admiro nesse blog, não é só eu que venho me divertir e acreditar que podemos fazer muito mais.

abços
Ana Leticia
Marabá-PA