quarta-feira, 6 de maio de 2009

A liberdade de escolha...

Pois bem, muitas pessoas estão me perguntando como eu vou fazer com o meu filho, se eu vou colocá-lo em tempo integral na creche. A resposta é: não, não vamos.
Tanto eu quanto Amore conseguímos o mesmo acordo no trabalho e vamos trabalhar 36hrs semanais em vez de 40hrs. Essas 4 hrs à menos são de "ouderschapsverlof" (licença de pais) e outras 4 horas das 36 hrs nós vamos trabalhar de casa, assim eu estarei as quartas-feiras em casa e Amore às sextas. Nos outros 3 dias o S. vai para a creche.

Nós vamos trabalhar menos por que queremos. Queremos ter tempo com o nosso filho. Foi a nossa escolha. Mas deixar de trabalhar totalmente não é um opção para nenhum de nós 2. Também pelo fator financeiro. E deixar o S. 5 dias na creche também não. Além de que, se um de nós tivesse que parar de trabalhar para cuidar do S., esse seria provavelmente Amore, por que o meu salário é mais alto do que o dele. E se eu quizesse parar, se fosse o meu mais íntimo desejo materno, seria barra, ou então, eu teria que procurar um trabalho part-time noturno, algo do gênero, mas ainda existiria a opção. E é isso que é bom na Holanda.

Eu estava lendo o livro que a Claudinha me deu (thanks, cherrie!;)), De Spitsuurclub da Marja Pronk, no qual a escritora tenta expor a liberdade de escolha que existe na Holanda no famoso dilema: careira & família. Ela diz que não existe certo ou errado, que não deveria existir o conflito de mães-caseiras & mães-de-carreira. Cada um deve fazer a escolha que lhe faça feliz. E como eu já disse antes, o bom é que na Holanda existe essa opção: se você quiser e poder, você pode ficar em casa criando, cuidando dos seus filhos. Em outros países, como o Brasil, essa opção é restrita somente para os ricos e milionários (e mesmo assim, eles ainda contratam uma babá). E sinceramente, não tem nada de errado com a opção de ser uma mãe-caseira, se isso for mesmo uma escolha pessoal. Olhando agora ao meu redor, eu digo para qualquer aspirante e não aspirante da maternidade, que não é uma vida fácil. E eu mesma não entendo por que nós mulheres tentamos ser a "Mulher Maravilha"? Sempre tentando ser perfeita em tudo e se dividindo entre tantos papeis: a mãe perfeita e sempre presente, a dona de casa exemplar, a mulher de carreira, a tal da "mulher nova, bonita e carinhosa que faz o homem gemer sem sentir dor" como diria Amelinha, já que não podemos nos esquecer do marido. E também não podemos estar cansadas, mal-humoradas, não-prestativas quando alguém precisa de nós. No final das contas, nós queremos é ser sempre perfeitas, sem falhas, sem feiuras e sempre deixando os outros satisfeitos e felizes, mesmo que isso signifique esquecer de nós mesmas.

Eu te digo que se alguma mãe agora dizer para mim que quer ficar em casa para cuidar do filhos, eu diria: Vai! Vai sem medo de ser feliz!. E a mesma coisa eu diria para uma mãe que deixa o filho 5 dias na creche! Se você está confiante com a sua escolha, está satisfeita com a creche, deixe a opinião dos outros de lado e siga em frente! Eu agora confesso que não entendo por que temos a mania de exigir que os outros sigam as nossas opiniões e escolhas? O que que se ganharia com isso? A razão? Razão de quê?...

A minha escolha é tentar a coluna do meio, a balança: dividir trabalho e filho, creche e casa, mãe e pai presente... Para mim, essa é melhor escolha, por que eu sei que só conseguirei ser feliz e uma boa mãe, se eu tentar bancar a tal da "Mulher Maravilha" e tentar combinar tudo ao mesmo tempo.

Sei também que, independente da escolha que cada um faz, todo mundo vai errar do mesmo jeito ou de maneira diferentes, por que não existe nenhuma chance de sermos 100% perfeitas em nenhum de nossos papeis ou até mesmo, em nenhuma de nossas escolhas. E já que é assim, o melhor a fazer, é escolher a opção que chega mais perto da nossa felicidade, mesmo com todos os nossos sacrifícios...

10 comentários:

Paula disse...

ah, vc esqueceu que a mulher maravilha ainda tem que estar depilada de unhas e cabelo feitos assim como malhada! HAHAHAHAHAHA
Eu acho essa sua escolha ótima e já ando me informando sobre a possibilidade de fazer sso aqui também quando chegar a minha hora.

Marina disse...

Concordo plenamente com você... cada um faz a escolha que quer e ninguém deve julgar ninguém por isso. Nunca se sabe como iremos reagir e o que iremos decidir quando tivermos um filho. E o S está muito lindo nas fotos do outro post! Beijão

Anônimo disse...

"Eu agora confesso que não entendo por que temos a mania de exigir que os outros sigam as nossas opiniões e escolhas? O que que se ganharia com isso? A razão? Razão de quê?..."

Eita lição de humildade, pa-ra-bens. tiro o chapeu. Adorei.
Te desejo muita sorte na sua decisao e escolha, mas com certeza ter, por que qdo a gente segue o coração e persevera no caminho do bem nunca se equivoca.
Abraços
Karla
www.comumnovoolharsobreavida.wordpress.com

Nadja Saori disse...

Acho que toda mulher, ao se tornar independente sonha em ser esta mulher maravilha!Poder agradar ao marido, como a mulher ocidental foi sempre ensinada a fazer, educar bem os filhos e agora, ser a mulher moderna, cuidar da casa e das contas... trabalhar também!

ë uma herança dos nossos antepassados mesclada às necessidades dos dias de hoje...

Beijoooos

Monica Peres disse...

Eta, sabedoria de primeira!!
Muito bem querida, continue com a mente aberta e o coração escancarado, são eles que vão te guiar no caminho que é certo PARA VOCÊ.
o S. tá um ghato, fala sério!
bj
Mônica Peres

Claudinha disse...

que bom que vc leu o livro :). eu achei muito decente e concordo com vc, cada um faz o que quer...mas que a escolha é difícil, ah é.

beijos e saudades!

Holandesa disse...

Claudinha,
A escolha é mesmo super-difícil! Por isso, para aguentar a barra e ainda dar uma boa educação, a melhor opção é aquela que a gente escolhe por sí próprio e não pela opinião dos outros! Também gostei do livro! Me fez relativar bastante! Abriu a minha mente! ;)

Lelya disse...

Oi Holandesa,

Acho que toda mae vai concordar com o que voce falou.
No meu caso, acabei optando por trabalhar part-time E ter uma au pair.

Quando moramos na Holanda, eu trabalhava para Ericsson e nosso departamento era responsavel por certos aspectos no HRMS a nivel global. Era muito trabalho, era estressante lidar com um tipo de gente durante o dia e outro durante a tarde, dependendo do fuso horario, mas eu vou dizer, nunca fiquei tao cansada como nos primeiros meses de Benjamin.

Como eu tinha parado de trabalhar (por falta de opcao), eu achava que seria um absurdo ter algum tipo de ajuda. Mas com o tempo fui abrindo excessoes.... Faxineira, engomadeira... Ate que eu resolvi admitir que queria um pouco mais. Queria mais ajuda em casa, com Benjamin, queria mais tempo com meu marido e queria voltar a trabalhar.

Quando resolvemos que receberiamos uma Au Pair em casa, nos sentamos os dois, e chegamos a uma conclusao sozinhos para o que seria melhor para nossa familia.
E que para nos, foi mesmo a melhor opcao! Criticismo teve, mas nunca me fez questionar nossa decisao.

O que eu aprendi depois de ter um filho?
"Before you criticize someone, you should walk a mile in their shoes"

Boa sorte!

Cris disse...

Pode ser cliché mas quando nos tornamos pais o nosso mundo 'muda'. Nossos pontos de vista já não são mais os mesmos.
E é claro que ainda podemos manter os mesmos projetos e as mesmas escolhas mas 'eu' acredito que passamos a analisar as coisas de uma outra maneira.
Anyway... O fato é que, de um jeito ou de outro, sendo pais ou não, temos mesmo que seguir o que você colocou: "Cada um deve fazer a escolha que lhe faça feliz".
Cada um é cada um e o 'ideal' é realmente "escolher a opção que chega mais perto da nossa felicidade".
E, só para constar, amei também a sua colocação: "independente da escolha que cada um faz, todo mundo vai errar do mesmo jeito ou de maneira diferentes, por que não existe nenhuma chance de sermos 100% perfeitas em nenhum de nossos papeis ou até mesmo, em nenhuma de nossas escolhas." Concordo em gênero, número e grau!

eliecy disse...

Quando temos filhos parece que o mundo se divide, no antes e no depois.

Eu sou muito agradecida a Deus por trabalhar em regime de plantão, fico dois dias ausentes, mais depois tenho seis dias para curtir e crias os filhotes.

Não é fácil. Ví uma entrevista de Marília Gabriela, quando ela disse a uma gestante grávida e que trabalharia posteriormente: "bem vinda ao clube das mulheres com a consciência culpada". Mas, é isso aí, cada qual com suas escolhas.

E ter filho não é fácil. Parece que as mães fazem parte de um Clube privado e tem uma Lei silenciosa de não abrir o quão trabalhoso é (rsss).