quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Procura-se: um super-herói

Parte 1:
Lí algo sobre um atentado ou planos de atentado contra o B.Obama!?
É impressão minha ou estamos à beira de termos o episódio de "24 *
"Horas"
virando realidade??!
*
*
Cadê o Jack Bauer?...

Parte 2:
Outro dia falando com a Consulesa no tel e colocando os papos em dia, nós tocamos no assunto no absurdismo da situação do caso da Eloá (entre tantos outros no Brasil e mundo à fora como o da Nathalie H. e o $&*^#&* do Holandês culpado pela morte de quem eu me recuso a falar o nome) e nesses dias consulesa me mandou um e-mail com o seguinte texto escrito por uma pessoa (des)conhecida(?), mas que sinceramente descreveu muito bem o que muitos não querem admitir.
Vale à pena ler e refletir:


“O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por… Nada?

Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação
social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental?
Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

O rapaz deu a resposta: 'ela não quis falar comigo'. A garota disse não, não quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não. Seu desejo era mais importante.

Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único. Faltaram muitos outros nãos nessa história toda.

Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá. Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim.
NÃO. Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi punida com uma bala na cabeça.

O mundo está carente de nãos. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer não às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer não aos maridos ( e alguns maridos, temem dizer não às esposas ). Pessoas têm medo de dizer não aos amigos. Noras que não conseguem dizer não às sogras, chefes que não dizem não aos subordinados, gente que não consegue dizer não aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros. Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um não, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.

Os pais dizem, 'não posso traumatizar meu filho'. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias.
Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer não, você não pode bater no seu amiguinho. Não, você não vai assistir a uma novela feita para adultos. Não, você não vai fumar maconha enquanto for contra a lei. Não, você não vai passar a madrugada na rua. Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação. Não, você não vai beber uma cervejinha enquanto não fizer 18 anos. Não, essas pessoas não são companhias pra você. Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. Não, aqui não é lugar para você ficar. Não, você não vai faltar na escola sem estar doente. Não, essa conversa não é pra você se meter. Não, com isto você não vai brincar. Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS crescem sem saber que o mundo não é só deles. E aí, no primeiro não que a vida dá ( e a vida dá muitos ) surtam. Usam drogas. Compram armas. Transam sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante.

Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não. Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer - é também responsabilidade. E quem ouve uns nãos de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer não a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem. O não protege, ensina e prepara.

Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os nãos que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias."


Ronaldo Gimenes


“Moral da história: Não também é educação!”

8 comentários:

Bruna disse...

Vc chegou a assistir confissoes de adolescente? Eu me lembro ate' hj de uma personagem dizendo "Falta de nao tambem parece falta de afeto" (se nao me engano a filha disse isso ao pai pq ele deixou a irma mais nova ir numa festa, ela bebeu todas e passou mal, etc...).
Eu nao puder assistir novela antes de completar 12 anos. Eu nao pude ficar fora do condominio depois da meia noite (sem supervisao de um adulto)antes dos 15 anos. Eu fui proibida de namorar um garoto aos 16 anos, quando eu ja me achava super adulta. Hoje eu agradeco todos os dias por todos os naos que meus pais me disseram, mesmo quando eu chorava no quarto sozinha. Se meus pais nao tivessem dito nao aquele tal namorado, muito provavelmente eu teria virado um numero nas estaticas. Se eu tivesse sequestrado meu namorado, minha mae teria entrado no apto com uma havaiana tamanho 45 e me tirado de la a chineladas. Vc pode achar ela maluca, mas e' por essas e outras, que hoje eu e minha irma temos uma profissiao, uma carreira e nenhuma passagem na policia. E o melhor de tudo: temos certeza que somos amadas.

Bia disse...

Te mandei outro e-mail, mas agora com notícias diferentes!

Beijo grande em todos vcs!

Anônimo disse...

Perfeita a colocação! Partilho da mesma idéia e a utilizo na educação de meus dois filhos (meninos) de 7 e 11 anos. Tenho um irmão que sempre diz: "Seus filhos me mostram cada vez mais que a educação com NÃOS é fundamental."

Gente... educar não é fácil, não sabemos nunca se estamos no caminho certo, requer tempo (nosso) e é extremamente cansativo (pra mim e para eles).

Bjs,

Cris

Marcia disse...

E o governo brasileiro também perdeu a chance de dizer NÃO à venda indiscriminada de armas que ajudam a criar essas tristes estatísticas.
Proibir o namoro eu não sei se ia surtir efeito, ela provavelmente ia tentar namorá-lo escondida, mas sendo Eloá filha de um foragido da Justiça, não acho que ela teve bons exemplos em casa. Ninguém para mostrar a ela que a escola vale mais a pena nessa idade. Tudo nesse caso é triste e revoltante. Que esse monstro agora não fique apenas cinco aninhos na cadeia e saia por "bom comportamento"!

Nadja Saori disse...

Adorei o texto que você postou. E concordo com tudo o que foi afirmado nele. Mas o que eu priorizo mesmo é sempre o diálogo. Eu sempre fui muito a frente de tudo quando criança, desafiadora e bastante briguenta. Mas desde pequena também meus pais nunca tinham tempo para mim e me batiam muito, mesmo quando um estava só bravo com o outro. Isso era um grande motivo para me bater, apanhava de graça, apanhava por ter feito coisa feia e apanhava denovo! No fim, não me lembro das rqazões por ter apanhando tanto( cinta, chinelo, soco, panela, tudo), lembro-me apenas de estar apanhando.
Mas uma única vez em que aprontei e minha mãe usou da conversa para me punir( eu devia ter uns 4 ou 5 anos) eu nunca mais esqueci os motivos. E fiquei mesmo muito sentida da quela vez. lembro até hoje que ela me disse " nos,a eu achava você tão moça e tão bonita e você foi lá e bateu no menino só pq ele foi mau com você? Achava que você era mais madura que ele"
Eu lembro de tuuuudo que eu senti na época, o quanto decepcionada comigo eu fiquei e o pior por ter feito minha mãe ficar triste! Aquilo, conversar com ela funcionou muito. Lógico, ela também disse que eu estava proibida de ir brincar naquele clube e fez valer sua promessa, não fui lá por anos!!!

Hoje, ela fica muito triste e chora toda vez que l~e sobre como é ruim batermos em nossas crianças e usarmos mesmo de força fisica desnecessária. Mas eu não sou brava com ela, eu cresci muito :) hehehehe !!!! mas fica aqui meu caso para você dar uma lidinha se tiver tempo hehehehe

Beijoooos

Jaboticaba Preta disse...

Já tinha lido e acho que este foi a melhor opinião já publicada na internet sobre isso!

Só um adendo. O autor do texto não é Ronaldo Gimenes, mas a Karina do blog Mafalda Crescida. http://blog.mafaldacrescida.com.br/

Beijocas da Jaboticaba :o)

Adriana disse...

É fato..e já coloquei até no meu blog...que eu não consigo engolir..que a menina com 12 anos..namorasse o cara de 19. Não dá, não desse na goela. E eu já usei muitos os NÃOs da minha mãe como desculpa pra não ir a algum lugar que não queria, pq eu mesma não tinha a coragem de dizê-lo. Outras vezes fiquei muito agradecida pq ela dizia não.

Adriana disse...

Olá!
Meu nome é Adriana e quem escreveu este texto maravilhoso foi minha amiga, Karina Cabral.
Você pode conferir o original em www.mafaldacrescida.com.br
Peço que coloque a autoria, ok?
Obrigada!