quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Descobrindo novos horizontes...

Estou desde de domingo em casa. O dia-à-dia ainda está uma loucura geral, seja em horário ou logística... Amamentação a cada 3 ou 4 horas (às vezes, de 2 em 2 horas), troca de fraldas,noites curtas, controle diários da minha saúde e do bebê, visita da parteira a cada 2 dias, até o próprio "Médico de casa" (huisarts) apareceu (!!!) - coisas aparentemente tradicionais da minha tribo - [ele veio dar os parabéns e ver se estamos bem], cansaço [também estou com a taxa de ferro no sangue baixa] e por fim, a recuperação da cesareana... Graças à Deus que existe "Kraamzorg" (a assistente após-parto), que tem me ajudado na amamentação e me ensina a cuidar do meu filho, como também me dá um "break" pra descansar/dormir pelo menos uma horinha de tarde... Cada hora extra dormida é uma benção, digo logo!... Isso que Amore é realmente paizão e faz tudo pelo filho com muita devoção. Acho realmente que ele achou uma parte do paraíso na Terra... Mas, amanhã ele volta a trabalhar e eu só tenho mais 2 dias (de 4 horas) de Kraamzorg e daí eu estou "sozinha"... Dá medo e insegurança. Será que eu vou dar conta do recado?! Ando tão ocupada nesses dias e daqui à pouco ainda tenho que cuidar da casa e da comida, além de cuidar de mim e do meu filho?...
Acho que assim que eu conseguir entrar no ritmo, as coisas se encaixam naturalmente, eu só não sei ainda quanto tempo vai levar. Veremos...

O parto
Enfim, muita gente me perguntando como foi o parto. Deixa eu fazer um "resumo" dos acontecimentos...
Na terça eu comecei sentir dores de manhã, mas não eram persistentes e acabaram "passando ou diminuindo" durante o dia, então pensei/concluí que eram o que eles chamam de contrações falsas... Por volta das 20hrs da noite, eu voltei a sentir dores, mas eram irregulares. O "negócio" ficou sério mesmo a partir das 21hrs. As contrações já eram fortes e regulares. Às 22hrs eu pedí pra Amore ligar para a parteira. Ela estava acabando de fazer um parto não muito longe da minha casa e disse que estaria por volta das 22:30-22:45hrs. Quando ela chegou, ela viu que as minhas contrações eram fortes e regulares e decidimos ir logo para o hospital como eu havia indicado antes no meu "plano de parto". Chegando no hospital (por volta das 23hrs), depois de terem me colocado nos monitores, o ginecologista de plantão confirmou que as minhas contrações já eram bastante fortes, mas a minha dilatação ainda era de 2 cms. Tinha que ficar pelo menos meia-hora no CTG (cardiograma) para saber como estava a condição do S. e dependendo de como fosse o resultado, nós iríamos falar sobre a anestesia. Às 24:30hrs ele voltou e a dilatação já estava entre 4 e 5cm. Tudo muito promissor e rápido (ainda mais para a primeira gravidez). Eu estava "feliz" por que tudo corria bem e indicava um "parto perfeito".

A hora de decidir pela epidural (anestesia) tinha chego. Ele perguntou se eu não tinha mudado de idéia, já que estava indo tudo tão rápido e eu estava "dando tão bem conta" das dores. Cheguei realmente a duvidar por um momento, mas na hora que ele disse que o anestesista estava terminando uma operação (e poderia vir comigo em 15 1a 20min) ou então, ele iria para casa, eu mandei ele vir!... Recebí a epidural e foi um alíííívio que não dá para explicar! Não muito tempo depois, quebraram a bolsa para incentivar ainda mais às contrações. Isso era por volta das 2:30hr da manhã. Às 4:30hrs da manhã, eu já estava com 7 cms e foi à partir daí que as coisas começaram a mudar.... Devido a posição do meu filho, eu tive que passar a noite toda deitada do lado direito. O CTG e o medidor interno do coração dele (colocado na cabeça dele) indicavam variações. Para ter certeza que estava tudo bem, o ginecologista tentou umas 3 à 4 vezes tirar um pouco de sangue do bebê (na cabeça) para ver como estava a condição dele (PH do sangue). Infelizmente, sem sucesso.

No meio disso tudo, a epidural começou a perder efeito e como a dilatação desde então havia estagnado, eu recebí "oxitocine" - hormônio para aumentar as contrações. Também aumentaram a dosagem de epidural até o máximo, mas sem efeito.
Por volta das 6 - 6:30hr da manhã, o chefe dos ginecologista tentou mais uma vez tirar uma amostra de sangue da cabeça do S., dessa vez como sucesso! E dependendo do resultado, se fosse "ruim", eu iria imediatamente para a cesareana, e se fosse "bom", que eu teria mais 1 hora e meia a 2 horas para ver se a dilatação evoluía, senão eu iria para a cesareana. O resultado foi positivo e podíamos esperar mais umas 2 horas...

Às 9:30hr da manhã, depois de ter passado 5,5 horas de dor (a epidural não estava fazendo mais efeito, principalmente do lado esquerdo) e superando todas as contrações frequentes e fortes (com a Oxitocine), o CTG de S. começou a piorar e a dilatação continuava nos 7 cms. Nessas horas, a decisão é fácil de ser tomada e eu estava psicologicamente preparada para tudo (Graças ao meu plano de parto!). O "problema" pra mim foi quando o médico ginecologista & anestesista disseram que teria que ser "narcose geral". Foi o único momento que eu precisei de uns minutos para engolir e digerir a informação. Não por que eu tivesse medo da operação ou da anestesia generalizada, mas sim, por que eu não estaria consciente do nascimento do meu filho... E por mais que eu também tivesse levado um parto com anestesia generalizada em consideração no plano de parto, esse era o último cenário que eu pensava em passar (e que raramente acontece)...

Enquanto isso, a sala de operação começou a ser preparada. Eu pedí para a minha irmã mais velha ir ao hospital (quem sabe para dar um apoio a Amore que estava, no mínimo, preocupado e assustado) e ela chegou em cima da hora antes de ser levada para a sala de operação. Os médicos, todos muito bons e gentís, cederam aos meus pedidos do plano de parto e deixaram Amore estar presente durante a operação, que na regra geral, quando é anestesia geral, eles não deixam. E também deixaram ele me visitar na sala de recuperação pós-operatória, que também não é permitido. Isso tudo depois que estivesse certeza que o S. estava bem. Disse para Amore seguir o nosso filho e que me deixasse para trás e não se preocupasse comigo. (Amore estava preocupado que algo desse errado...). Acho que essa foi a parte mais difícil no parto como o meu e é nessas horas que você sabe, mesmo você não tendo o seu bebê nos braços, que você se entrega toda por ele...

E mesmo assim, no final das contas, quando tudo passa e horas depois você tem o seu filho saudável no braços, a única coisa que eu e Amore pensamos é: se fosse preciso, nós faríamos tudo de novo outra vez...

7 comentários:

Danusa disse...

Holandesa,
Sempre me emociono lendo seus topicos! Voce relata as suas emoçoes de uma forma bem expressiva. Obrigada por compartilhar conosco a experiencia do seu parto, estou entrando na 38 semana muito ansiosa e apreensiva e lendo seu relato de uma forma me conforma..sei que nao é facil quando os planos mudam. Voce se mostra uma pessoa forte e isso so acrescentou a seu favor. Parabens mais uma vez pelo seu lindo bebe. Que Deus ilumine voces a cada dia. Descance bastante e nao se preocupe que voce sabera ser uma mae perfeita para seu principe.
beijos
Danusa

zeke disse...

Que bom ler a sua historia!

Nadja Saori disse...

Holandesa!!! Parabéns pela força toda durante o parto do S.! estou muito feliz por voce!!!
Desejo mesmo toda a alegria do mundo enste momento e em todos que o seguirem !!! Para vcs três!!!

beijoooos

Paula disse...

adorei ler o seu realto. Você é uma pessoa com os dois pés no chão, bem realista e prática portanto não tema, você entrará na rotina rapidinho!

Marina disse...

Parabéns Holandesa... o seu pimpolho é lindo!! Que Deus abençoe muito ele e que ele cresça com muita saúde!! Beijão

Anônimo disse...

Holandesa,

Fiquei emocionada com teu relato de mulher, mae e esposa.
Felicidades, felicidades!!!
Beijos!
Claudia

Adriana disse...

Depois de um tempo sem visitar seu blog, que linda notícia acabo de ter. Parabééééns, Holandesa! É muito lindo o seu filhote! Que bom que tudo correu bem. Muitas felicidades para toda a família.

Um beijo grande.